People of Change documenta os esforços de ONGs e indivíduos trabalhando na melhoria de suas comunidades. Acreditamos que exemplos positivos inspiram mudança, e podem promover soluções globais.

20 Dias Desconhecidos

Uma das melhores coisas das tecnologias atuais (especialmente a internet) é o poder de conectar as pessoas. Alguns argumentam o contrário, mas se criada para os propósitos corretos, a tecnologia pode ser usada para servir as pessoas; e não o caminho reverso.

Desde celulares até computadores, tablets a smart TVs, todos continuam evoluindo, assim como sua conectividade. Por causa disso, uma grande parte das nossas vidas está online. Agora, imagina se você pudesse compartilhar digitalmente seus dias com uma pessoa qualquer? Essa é exatamente a ideia por detrás do aplicativo 20 Day Stranger (20 Dias Desconhecidos).

Esse aplicativo para o iPhone revela conexões íntimas entre dois indivíduos anônimos. É uma experiência móvel que faz o intercâmbio da experiência do mundo de um com a experiência de outro, e ao mesmo tempo preserva a identidade de ambos os lados.

Por 20 dias, duas pessoas sem qualquer vínculo prévio terão uma experiência do mundo compartilhada. Nenhum dos dois saberá ao certo quem eles são mas os criadores esperam que a experiência revelará o suficiente para construir uma imaginação sobre a vida do outro… e mais amplamente, a imaginação de desconhecidos por todo o mundo.

O aplicativo, criado pelo MIT Lab em parceria com o The Dalai Lama Center for Ethics and Transformative Values, está aberto para qualquer um que tiver interesse em participar. O único pré-requisito é ter um iPhone e estar conectado…

Quem é o Cara?

A questão de gênero não é nenhuma novidade mas sua presença ainda é palpável – infelizmente. O lado bom é que existem homens que estão tentando acabar com esse paradigma social.

Um deles é Arunachalam Muruganantham (também conhecido como o Homem Menstruação). Ele começou uma revolução sanitária através de absorventes em um lugar onde falar dessas “coisas sujas” é tabu. Apenas 7% das mulheres na Índia usam absorventes, e apenas 2% em zonas rurais. O resultado disso são condições pouco higiênicas, e em casos piores, doenças. Essa situação é resultado direto de como a menstruação é vista na sociedade, e a ignorância por detrás desse processo natural. No início, a própria família de Muruganatham achou que ele era um pervertido mas agora é um empreendedor que trouxe um modelo de negócio sustentável para as áreas rurais da Índia, e empodera as mulheres nessas regiões. Ele credita seu sucesso à sua habilidade de “pensar como uma mulher”.

Tem também o pai de Malala, Ziauddin Yousafzai, cuja coragem e amor foi transmitido para sua primeira filha, Malala Yousafzai. Um professor no Paquistão, ele sempre acreditou no direito da educação para todos os seres humanos, independente do gênero. Na sua palestra no TedTalks, ele descreve o dia do nascimento de Malala, quando toda sua família e vizinhos visitaram para dar os pêsames pelo nascimento de uma menina. Mas, desde o nascimento de Malala, ele transmitiu todo seu amor. Durante a palestra, podemos notar seu apoio e orgulho de sua filha, e a parte mais comovente e reveladora acontece no fim do seu discurso, quando ele diz: “As pessoas me perguntam o que de especial na minha mentoria fez de Malala tão corajosa e tão articulada? Eu falo para elas não me perguntarem o que eu fiz. Perguntem o que eu não fiz. Eu não cortei as suas asas, e isso foi tudo.”

Outra pessoa é Dustin Hoffman, um ator super reconhecido que teve um momento de realização ao perceber a influência negativa de uma sociedade que desvaloriza o papel da mulher. Numa entrevista recente, ao descrever seu papel no filme Tootsie, Hoffman se emociona quando se dá conta que vive numa sociedade que valoriza uma mulher mais pela sua beleza física do que seu caráter. Ele percebeu que existiam diversas mulheres interessantes mas não atraentes (de acordo com seus padrões) que ele nunca teve a chance de conhecer por não considerá-las bonitas o suficiente. Ao se questionar, “como você seria se tivesse nascido uma mulher?” ele conseguiu entender a pressão que as mulheres tem na sociedade.

Existem diversos homens que eu considero “os caras” pois eles são humanos. Eles perguntam coisas do tipo, “como você seria diferente se tivesse nascido uma mulher?”; ele arriscam em “pensar como mulheres”, e não cortam as asas de nenhuma pessoa.

BizeeBox

Sabe aquele momento quando você escuta alguma coisa genial e pensa para si mesmo, “como que eu não pensei nisso antes”? Isso aconteceu comigo recentemente quando li o artigo “Se estamos compartilhando tudo, por que não compartilhar xícaras de café?

A ideia por detrás dessa iniciativa, que é super simples, tem um grande impacto na redução de lixo gerado pelo consumo de café. Ninguém pode negar que o café tem um papel importante na rotina de muita gente. Mas, vamos dar um passo pra trás e ir item por item desse hábito: copo de papel ou plástico, uma tampa plástica, em alguns casos um papel extra para não queimar as mãos, e se adicionarmos açúcar, o pacote de açúcar, adoçante e a colher. Agora, multiplica isso por todas as pessoas que consomem café todos os dias…

Uma parceria quer mudar isso. A DO School e a Brooklyn Roasting Company estão produzindo 500 xícaras de cerâmica. Ao invés de jogar fora seu copo, você leva a xícara de volta até eles, onde eles lavam e fazem a higienização para poder usar no dia seguinte.

Essa descoberta me levou até o BizeeBox, outra ideia genial que envolve pacotes para levar comida reutilizáveis, e que permitem que você leve a comida sem se sentir culpado com o lixo que está gerando. Como uma ideia tão simples pode parecer tão distante?

Imagina um mundo onde isso é a norma. Quer dizer, não vamos imaginar. Vamos fazer acontecer.

A Estrada da Coca

E se um dos produtos mais distribuídos do mundo pudesse ser transformado numa rede de distribuição de remédios essenciais?

Você pode comprar uma Coca-Cola praticamente em qualquer país em desenvolvimento do mundo, mas nesses mesmos lugares 1 em cada 9 crianças morrem antes de completarem 5 anos por causas simples como desidratação e diarréia. Essa é uma rede de distribuição gigante que talvez nenhuma outra marca tenha.

Uma pequena anedota. Em alguns países, a Coca-Cola não é bem vista. Quando eu estava no Sri Lanka trabalhando com a organização Future in Our Hands, passamos um dia inteiro sob o sol entrevistando fazendeiros. No fim da tarde, eu só conseguia pensar numa bebida gelada. Paramos numa pequena venda e eu pedi uma Coca. Na hora, os homens que estavam comigo perguntaram por que eu iria beber aquilo. Sem entender as implicações, falei que gostava. Aí eles perguntaram como é que eu poderia beber uma bebida alcoólica no meio do dia (a religião deles não aprovava bebidas alcoólicas). Expliquei que só iria beber uma Coca, e não iria misturar com nenhuma outra bebida. Eles responderam afirmando que a Coca era uma bebida alcoólica. Poderia beber qualquer outro refrigerante; menos Coca. Acabei ficando com uma garrafa de água morna mesmo.

A gente estava no meio do Sri Lanka, numa vila rural que talvez tivesse menos de 500 pessoas, e apesar de a Coca estar lá, vários outros produtos essenciais não estavam.

Essa é exatamente a ideia por detrás da ColaLife, uma organização que tem os mesmos princípios e usa as redes que a Coca-Cola e outros produtores de commodities tem, para abrir redes de suprimento do setor privado para ‘produtos sociais’ como sais de reidratação oral e suplementos de zinco. Apesar da ColaLife trabalhar com corporações para trazer mudanças sociais, a organização não está afiliada à nenhuma outra empresa e seu trabalho não significa apoio à produtos ou marcas.

Talvez seja algo que a Amazon possa ajudar também….